Nas horas vagas

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Nas horas vagas

Ensaiou despedidas, não antes de rasgar o verbo, desfiar as fibras, moer os olhos…

Não vai a lugar algum sem suas dúvidas e certezas…

Nesse tempo de olhar pra si mesmo, há muita sede… a busca não cessa.

Nas horas vagas, algum silêncio acalma as dores… Mas é a musica que quer curar

E a palavra se debulha em sentimentos controversos, às vezes imprecisos, querendo fazer valer cada sentido… ter sentido.

Há vida aqui e ali… é só olhar e ver.

Há misérias maiores… Ainda há fome.

Muito há que se fazer pelo outro e para si

Pobres quereres, sempre maiores que a real necessidade…

Nas horas vagas meço força com meu Eu de dentro

Descubro-me… Olho nesse espelho real… Ficam expostas todas as fragilidades

O Presente é uma urgência diária! Uma corrida sempre pra fora… fora demais

Apesar de sentir que fora demais é o futuro-um horizonte inalcançável – logo ali, tão perto… contraditório… não sei bem.

Sei que sonho … e a incerteza é um véu que muda a cor do dia e da noite

Carrego na retina…minhas fotografias mais queridas…

São os desenhos que faço da vida que me cercou um dia…

Sei de cor cada traço, se soubesses… mas a mão nunca é livre para os contornos do peito… talvez a mão firma o lápis, que desenhou aqui tanta beleza…que fez a nota musical durar mais tempo na minha trilha…

O que me apavora ainda são as despedidas que a vida me dá…

Sei que há tempo para tudo nesse mundo de viver…

Sei que fazem rondas na dor da gente…

Se… decidir muda tudo, se… muda a gente

Seja a prece, verdadeira!

são meus olhos…

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são meus olhos…

na contagem do tempo
na paisagem, na janela e aqui dentro
um olhar mais quieto, desajeitado às vezes
mas, único… são meus olhos, quando me olham.

já desconfiei se eram mesmo meus olhares
mas só às vezes, quando sinto saudades
e quando não me “acho”…

meus olhos, que ás vezes se iludem, me desafiam sempre
aí eu tenho que olhar de novo mantendo a permanecia
das descobertas que ele provoca sob a luz do real
sobre os fascínios dos quereres ininterruptos
a luz precisa ser direcionada nessa realidade do existir

Às vezes adoeço

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Quando adoeço

Adoece em mim os olhos e a boca
Os ouvidos e as mãos

há um grito entalado na boca do estômago
há um riso caído nos pés que, descalços,  são feridos nas pedras lisas e pontiagudas num solo cansado de ontens e amanhãs que insistem em abafar a vida que pulsa hoje perto de nós

Mas há  sempre uma luz que guia os sentidos
Para frente e para o alto
É que pede olhar com alma mais uma vez

a semente a morrer

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quando a prece é silêncio!
habito meu coração
as contas desse rosário
são espinhos expostos
apontando seus olhos

cada um escolhe a sua, a maior dor para expor no varal

há uma surdez nesse mundo tentando me engolir
meus sentidos hoje gritam,
junto com tanto barulho
há que se ouvir o próprio pranto